DROPS DE SABER: O QUE PODEMOS APRENDER COM A SAÍDA DA FORD DO BRASIL

A notícia da saída da Ford do Brasil pegou muita gente de surpresa. Não obstante, a saída da montadora já era esperada por analistas do setor automobilístico. A Ford vinha perdendo dinheiro sistematicamente no Brasil há um bom tempo.

Para se ter uma ideia do poço sem fundo que a operação brasileira se tornou, em 2018, de acordo com informações divulgadas pela agência Blooomberg, a Ford amargou um prejuízo de cerca de 1 milhão de dólares… Por dia!

Mas como uma empresa se mantém aberta tendo prejuízos?

Simples: Recebendo ajuda de fora. No caso da Ford essa ajuda vinha da matriz norte-americana, na forma de injeção de capital, e dos estímulos do governo na forma de subsídios.

Porém uma hora a torneira tinha que fechar.

Como é que a Ford, a primeira montadora a produzir carros no Brasil, uma empresa com mais de 100 anos de presença no mercado brasileiro, se viu forçada a fechar as portas?

Dois motivos se destacam:

  1. Miopia estratégica. A montadora não atualizou seu portfolio de produtos e perdeu espaço para a concorrência. A Ford parou no tempo. Sem um produto que atenda ao mercado não há como fazer as vendas decolarem!
  2. Ausência de margens de lucro. Apesar de ser a 5ª maior montadora de automóveis do país, seus produtos “best sellers” – o compacto Ka e o Ecosport – não pagam as contas, mesmo vendendo muito! Os chamados carros populares, os modelos de entrada, não oferecem margem de lucro ou têm lucratividade mínima.

Sem produtos compatíveis com as demandas do mercado e sem margem de lucro, ajuda externa alguma é capaz de manter uma empresa aberta por muito tempo.

A saída da Ford oferece pelo menos duas lições para o mercado e empresários de fitness:

  1. Sem um produto que atenda às demandas do mercado as vendas não acontecem.

Parte da dificuldade de vendas enfrentada pelas academias hoje é que solução central que elas oferecem, qual seja treinamento ou exercício físico, atrai somente uma parcela muito restrita da população, os famosos “4%”. Para os outros 96% “treinar” ou “fazer exercício” não é uma coisa que os motiva a comprar ou sacrificar regularmente o uso de seu tempo livre. Apesar de toda a (re)evolução experimentada no mundo o produto principal das academias tem mais de 40 anos! E, apesar de alguns “face lifts” – especialmente nas máquinas e estrutura física – esse produto não está em sintonia com as demandas do consumidor do século 21. Enquanto o fitness for associado à “malhação”, “sacrifício” e “boa forma” vai ser muito difícil tornar as academias um serviço essencial vinculado à saúde!

2. A importância de conhecer o lado financeiro do negócio.

Muitos empresários desconhecem suas margens de lucro e sua real estrutura de custos. Por isso mantém atividades em seu portfólio sem saber se elas são de fato lucrativas. Ou pelo menos quanto elas contribuem – se é que contribuem – para compor o seu lucro. Pode parecer contraditório mas, às vezes, ao retirar uma atividade ou encerrar um horário, mesmo com eventual saída de clientes, a empresa melhora o seu resultado financeiro!

A insistência em vender exercício com foco exclusivo em “emagrecimento”, “ganho de massa” ou “desafios de 30-45 dias” condena muitas empresas – e profissionais – de fitness a lutar por uma parcela muito restrita do mercado, o cliente já “evangelizado”, e travar guerra de preços na esperança de captar clientes.

Mesmo com a pandemia de coronavirus muito pouca gente saiu do lugar comum e fez mudanças concretas para vender, de fato, soluções voltadas para saúde e prevenção de doenças metabólicas!

Da mesma forma que a Ford, sem produtos compatíveis com as novas demandas do mercado – e sem margem de lucro – academia alguma é capaz de se manter aberta por muito tempo.

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