SUA ACADEMIA É DO SÉCULO PASSADO?

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Nunca na história desse país < ironia > tantas academias foram postas à venda por tanta gente em tão pouco tempo < essa frase de abertura teve inspiração em Churchill, esse sim, grande estadista >. Em mais de 20 anos envolvido no negócio das academias, jamais presenciei tanta gente colocando seus negócios à venda.

O momento não é propício à venda < baixa liquidez > e muita gente vai perder dinheiro nas suas transações.

Mas o fato é que os proprietários estão se desfazendo de muito mais do que seus negócios. Eles estão se desfazendo de um conjunto de problemas fundidos sobre o rótulo “academia de ginástica”. Mais do que dinheiro, eles querem paz de espírito. E isso nem Mastercard compra…

O maior problema enfrentado pelas academias < e que a maioria de seus proprietários absolutamente desconhece > não é a queda nas vendas! A queda nas vendas é apenas um reflexo de algo muito maior: A falência do seu modelo de negócios.

(abre parênteses)

Sobre ‘modelo de negócios’ escrevi 4 posts que recomendo fortemente a leitura e < auto > reflexão que devem ser lidos, preferencialmente, na ordem em que aparecem abaixo:

A Crise é do Modelo de Negócios

De Olho no Futuro

O Buraco Negro da Obsolescência

Academias como Centro de Entretenimento

(fecha parênteses)

O conceito de Economia da Experiência apareceu primeiro em 1998 num artigo agora clássico na Harvard Business Review¹. Desde então empresas de todos os segmentos tem procurado cada vez mais adicionar valor às suas ofertas por meio de experiências memoráveis (memória emocional positiva).

Empresas de serviços tais como as academias são as que tem maior potencial de orquestrar experiências memoráveis para seus clientes. Pense desde os grandes eventos até pequenos gestos personalizados passíveis de serem entregues aos usuários ou pagantes para criar uma conexão emocional com seu negócio (por exemplo, para você que tem piscina, faça um curto vídeo da criança nadando e envie para o telefone dos pais na hora da aula).

Longe de criar experiências memoráveis, as academias ainda hoje baseiam seus serviços sobre o conceito de “treinamento” encapsulado na forma de “aulas” ou, pior ainda, na famigerada “ficha de treino”.

O mindset < modelo mental > do profissional de Educação Física, doutrinado nos bancos escolares ao longo de quatro anos de graduação superior, é escorado no binômio “segurança + eficácia” e a preocupação maior é se a ficha vai “dar resultado”.

O layout das salas de musculação ainda é pensado com vistas no conjunto de máquinas e sua distribuição por segmentos corporais.

Nesse sentido aonde a EXPERIÊNCIA DO CLIENTE fica sendo o focus e o locus tanto da prescrição quanto da construção do ambiente?

Tem gente que abarrota a sala de musculação com máquinas de todos os tipos possíveis e imagináveis para que seus professores possam “variar o treino” e NÃO disponibiliza sinal wi-fi aberto para seus clientes! E ainda acham ruim quando alguém fica “olhando o celular” no horário do “treino”…

Esses proprietários e essas academias são, via de regra, os que mais tem sofrido com a crise financeira e, padecendo de MIOPIA EMPRESARIAL, permanecem presos ao modelo de academia como centro de treinamento.

São esses também que, via de regra, ficam choramingando aos céus e à terra quando um concorrente “low cost” surge ao seu lado, com máquinas melhores e < muito > mais barato.

São igualmente esses que, via de regra, cobram menos de R$ 90,00 pelos seus serviços e não conseguem impor seu valor quando o cliente diz que “se não fizer mais barato eu vou sair”.

São esses que, invariavelmente, não ganham dinheiro no negócio academia e agora pensam, desesperadamente, como cair fora dele.

Muito antes das empresas, é o MODELO MENTAL DO DONO que fica obsoleto! Esse modelo mental conduz a empresa à obsolescência e, inevitavelmente, ao fracasso.

E VOCÊ?

– Nega acesso wi-fi ao seu cliente multiconectado e multicanal do Século XXI?

– Acha ruim que o cliente fique “fazendo hora” na sua academia ao invés de treinar sério?

– Ainda fica preocupado aonde vai colocar aquela nova máquina de quadríceps que o “pessoal está pedindo”?

– Tem uma página no Facebook recheada de frases motivacionais derivadas do conceito “no pain no gain” tais como “motivação é o que faz você começar e hábito faz você continuar” ao invés de conteúdo PRÓPRIO?

– Não investiu NADA e não deu NENHUM TREINAMENTO para seus PROFESSORES no último ano?

Da mesma forma que o PAR-Q, se você respondeu SIM a qualquer uma das perguntas acima você apresenta sintomas graves de MIOPIA EMPRESARIAL e seu negócio corre o sério risco de desaparecer. Prossiga com cautela.

 

  1. Pine, B. Joseph II & Gilmore, James. “Welcome to the Experience Economy”, Harvard Business Review, Jul 1, 1998.

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